venres, 16 de marzo de 2018

Invernia

A noite de nuvens de chumbo,
o vento frio e a neve
caem sobor o sendeiro inescrutável
a negrume da fraga agarda por mim

A invernia bem se nota
nas cansas árvores
e nos escrutadores olhos
dum moucho velho

Hai tempo já
que os lobos cheirarom
a minha presença,
o meu silandeiro canto

O dragom que segue a durmir
co seu lene lume ancestral
entre as pedras dalém da cordura
agarda polo espertar derradeiro

O augúrio do Imutável

Nom sinto já a mágia
o estremecimento que a Lua
cos seus raios de prata
amosava visóns do espaço sem tempo

Nom sinto já a presença
dos sons da fraga imensa
que teciam nas estrelas
o ciclo dos trabalhos e o lazer

O tempo da ignorância
retorna com força daqueles
que agochados cuspem bile
no sábio camino da Terra Mãe

O tempo dos malditos
dos renegados do seu berce
fai tremer as lapas
dum lume que arde com raiva

No mais fundo do meu canto
agóchase a segreda mensagem
da resistência implacável
nas luitas que se achegam

No mais fundo dos meus olhos
cansos por tantos menceres vividos
hai um pequeno escintilar
que augura ainda o Imutável

martes, 31 de outubro de 2017

Séculos Escuros...

Hoje nom há nim Luzeiro nim mencer...

Seguem a ser Séculos Escuros pra Galiza...

mércores, 13 de setembro de 2017

Haiku 9

tres anos hai
que olhamos o Leste;
ja a Luz boura...


luns, 22 de maio de 2017

Haiku 8

descenso à iauga
e no fundo do abismo
sinto o baleiro

martes, 16 de maio de 2017

Primeiros versos de Luz

Agarimo os teus cabelos mouros
alumeados por brilhos de prata
e a Luz boura

Pérdome no teu olhar feiticeiro,
pícaro, olhar calmo e nidio
e a Luz boura

Alédasme a ialma cando ríes
e a Lúa enche as minhas sombras
e a Luz boura

venres, 7 de abril de 2017

Haiku 7

mañá en penumbra
pois calmo é o silencio
entre a néboa