xoves, 6 de xaneiro de 2022

berro, somente berro... há vezes que o único que fago é berrar e berrar...
e anulas-me co teu olhar lastimeiro, e abaixas a cabeça, e sei que perdim uma oportunidade...

berras, somente berras... há vezes que o único que fas é berrar e berrar...
e tento olhar cara outro lado pra nom berrar eu tamém, e tento recuperar a oportunidade perdida...
 
e agarimar-te e cheirar-te e ouvir o teu berro como a primeira vez...

venres, 26 de novembro de 2021

vozes sussurrantes entre livros e pantalhas
saudade dos tempos escolares
que a memória edulcora e peneira
sons que se perdem no escuro
e images que paralisam o meu olhar

mércores, 17 de marzo de 2021

arrodeado de livros
silêncio baixo as lenes luces fluorescentes
paralisado na eternidade dum momento
e uma sombra ativa de novo o tic tac do relógio...

sábado, 17 de outubro de 2020

Cantar de Morgana

escreve no ar
ancestrais sortilégios
e escuita os laios
das esquecidas da terra

caminha atenta
entre as árvores quedas
e sente o cantar
das invisíveis forças

Morgana, dona de feitiços,
poçóns e meigalhos,
sabedora das traiçóns,
das envejas e as maldades

vela polas tuas filhas
e amosa-nos na Noite
os segredos da Vida
e os sendeiros da Morte

domingo, 17 de maio de 2020

canto pra um inexistente despois

luita e utopia cadavres que descansam no asfalto pancartas e berros sistema sem rostro escritos e proclamas multitude num grande contraste em branco e negro imprensa vendida aduladora do régime efígie reta dum pai pra todas especialistas em falsear a violência protocolo monopolizado liberdade pra morrer como escravas do consumo as máscaras de horrores passados som desveladas

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luita e utopia teoria sem prática povo baixo a barbárie uma ferida profunda na subjetividade romanticismo do longe tinguido de sangue implicaçom detrás da barreira do capitalismo que reconforta e inventa explicaçóns das mortes que nom quere assumir

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luita e utopia palestras cara uma multitude em greve voam os panfletos e as consignas manifesto do efémero a revoluçom das obreiras estudantes do povo repressom dos punhos em alto que caem no silêncio

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luita e utopia os seus disparos som contra elas mesmas facianas perdidas na prisom do dia a dia imagens veladas dos horrores da noite liberade a expressom com tinta de grafite cara um negro e inexistente despois

luns, 27 de abril de 2020

aquí
alheio a tudo
na repetiçom do dia a dia
alheio a tudo
aquí

luns, 13 de abril de 2020

escritura automática
á tua beira
ti ensaias linhas, puntos e borranchos
num dos teus primeiros cadernos
e eu uno palavras neste que,
logo dos seus bons anos,
já se está rematando

atenta a tudo
ao que fago eu
(ás vezes metes o bolígrafo
e tachas algo que escrevo,
mais pobre de mim se fago
o mesmo no teu!!!)
ao que está fazendo mamá,
á música que soa na equipa de som ou no móbil,
ao cantar dos paxaros
ou ao ladrido dos cans,
incluso a se pita a padeira!

e assí vas medrando
pouco a pouco, um mundo,
sentadinha á minha beira,
nestes estranhos dias de incerteza...

Escrito entre Trelherma na manhá do 11 de abril de 2020